Olho aberto!

lobo-cordeiro
Ontem a tarde, durante um compromisso profissional, vi um rapaz muito jovem defendendo o uso de tortura como instrumento de inquérito policial. Ele continuou afirmando tratar-se de uma ferramenta extremamente útil, mas que não existe pelo fato de que este é o preço a ser pago por viveremos em uma democracia, que ele diz não ter certeza de que existe.
Alguns quilômetros dali os manifestantes começavam a se reunir para protestar e engrossar um movimento nacional que discute temas locais, aqui, leia-se as tarifas do transporte público.
Como bem frisou Lelê Teles em texto assinado no “vi o mundo” o movimento passou a ter outras roupagens. Do transporte público, coletivo, aquele é que é relegado aos pobres em Curitiba, toda e qualquer tipo de bandeira passou a ser empunhada. Vale lembrar que estamos em uma cidade no qual um veículo individual, seja moto ou carro, tem valor de status social.
Digo isso de peito aberto, pois tanto eu quanto minha esposa não temos carro e sequer carteira de motorista. Esta informação é equivalente a um atestado de pobreza aos olhos da maioria, situação que fica estampada nos rostos surpresos de quem escuta nossa opção.
Nesta mesma onda, setores que criminalizaram os primeiros movimentos com carimbos de vandalismo, banderna (Oi Datena?) e encarecidamente pedindo a solução na borrachada, mudaram de opinião. Arnaldo Jabor, o homem dos mil e um textos fakes e porta voz do reacionarismo pseudointelectual, pediu desculpas  em rede nacional justamente de sua tribuna da soberba. Estranho, não?
As vaias dos playboys contra a Dilma na abertura da Copa das Confederações já foram automaticamente linkadas com os protestos, embora com públicos muito diferentes. Enquanto no Mané Garrincha reclamavam pela Copa do Mundo justamente quem a financiava com a compra de ingressos a preços exorbitantes – lembram que futebol não é mais esporte para pobres? – o movimento do passe livre tratava de moedas e condições de locomoção nos grandes centros urbanos.
Esta onda de manifestações pode transformar-se em uma locomotiva desgovernada, cujos neo-conservadores apoiados nos mesmos valores de quarenta anos atrás estão loucos para pegar o comando.
Olho aberto.

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Sobre Gibran

Gibran, jornalista e coxa-branca. Filho de pais maravilhosos, marido de uma esposa sensacional, pai de quatro gatos (Jéssica, Jim, Lara e Arafat) e amigo de grandes amigos. Não vive sem música, leitura, futebol, internet e tecnologia. Metafísico e prático.

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