O tempo

Relativo. Senhor da razão. Cura todas as feridas. Indelével, impiedoso, inevitável. Tudo isso se refere a um conceito tão conhecido quanto desconhecido por todos: o tempo.

Nossa vida passa e muitas vezes nem nos damos conta de como estamos preenchendo esse tempo, e ele naturalmente se esvai como se cada pessoa tivesse uma metafórica ampulheta dentro de si.

Recentemente um episódio tão banal quanto epifânico me fez parar justamente para refletir sobre o tema. “O que estou fazendo com o meu tempo?”, vi-me indagando.

Como professor vivencio situações inusitadas e outras nem tanto. Entre estas, alunos sem algum material essencial é uma das mais comuns.

Uma aluna – jovem, porém claramente adulta e madura – havia esquecido seu lápis, por isso emprestei-lhe uma velha lapiseira que possuo.

Ao lhe entregar o objeto, porém, parei subitamente e lhe perguntei, como que se para confirmar: “2004 foi há oito anos, certo?”. Ela hesitou um pouco e confirmou a óbvia informação. “Você tem que idade mesmo?”, perguntei-lhe. “Tenho 18 anos, professor”, ela respondeu.

Eis que a trivial situação deu origem a uma constatação inusitada: “Parece inacreditável, mas então esta lapiseira tem a mesma idade que você, pois eu a tenho desde 1994. Sei por que a montei com as cores da bandeira brasileira quando fui comprá-la, pois era ano de Copa do Mundo, que o Brasil acabou vencendo, aliás”.

Poderia ter sido um uísque. Poderia ter sido com um primo, um conhecido. Mas foi em sala de aula, com uma aluna. Ali, pela primeira vez, senti-me “velho” sem de fato sê-lo. Ali, como que arrebatado pela força de uma tormenta, tive uma epifania: o tempo passou. E segue passando. Indelével, impiedoso, inevitável.

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Sobre Leonardo Lovo

Advogado frustrado, professor de inglês realizado e empresário iniciante. Paixão por leitura e escrita contrastam com a por videogames.

Uma resposta para “O tempo”

  1. Jaqueline Paris diz :

    O passar dos anos nos traz maturidade, mas e o que deixamos pra trás?
    Pois bem, prefiro pensar no que está por vir, no que ainda temos a conquistar.
    Prefiro pensar nas boas amizades a serem preservadas, num novo jeito de ver e compreender a vida, nos amores a serem vividos – e conquistados.
    Prefiro pensar no conhecimento a adquirir e no mundo a desbravar.

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